sábado, fevereiro 25, 2017

Almada em Moledo


Em 1934, Almada Negreiros e Sarah Afonso passaram férias de Verão em Moledo, em casa de António Pedro, antes deste se mudar definitivamente para a aldeia minhota, onde morreria em Agosto de 1966. Entre idas ao areal e convívios vários entre outras figuras das artes e das letras, criaram-se numerosos programas. Um deles consistiu numa ida de barca à Ínsua (para quem não saiba, é uma ilhota entre a desembocadura do rio Minho e a praia de Moledo, face a o início de Espanha) e um piquenique. À vinda, as condições do mar, que ali tem correntes traiçoeiras, iam provocando sérios problemas ao barco, mas tudo se resolveu. Isso inspirou Almada a criar um pequeno filme animado, em formato "lanterna mágica", com 64 desenhos em papel de seda, mudo e com legendas, recriando o quase-naufrágio, e produzido pela efemeramente inventada "Moledo Filmes", para animar os serões de convívio. "O Naufrágio da Ínsua" esteve todos estes anos escondido do público e dos especialistas, até ser reencontrado e exibido agora na monumental exposição na Gulbenkian, até 2 de Junho, e que mostra 400 obras de Almada, das mais icónicas e reconhecíveis às até agora desconhecidas, como este simpático inédito de animação que pode ser visto no piso de baixo. Um aviso: a exposição não se despacha numa simples hora. Vale a pena visitá-la com calma. Permite-nos revisitar Almada e os seus estilos diversos, conhecer novas obras e até saber que já nos anos trinta Moledo era destino de férias e de encontros entre as gentes das artes e das letras, muito antes de se tornar a praia conhecida que é hoje, tantas vezes caricaturada como apenas um local ventoso e elitista.








quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Felicidade com atraso


A vitória sobre o Borussia Dortmund é uma das mais felizes que o Benfica já teve. Por muito que pense, não me recordo de um jogo em que tenhamos sido tão dominados e ao mesmo tempo, tenhamos criado tão poucas oportunidades de golo com tanta eficácia. Claro que há triunfos de sorte, como no ano passado no Bessa, mas com o adversário a criar tantas oportunidades é ainda mais raro. Perante os desacertos de Aubemayang, os desperdícios dos companheiros, a macieza do meio-campo do Benfica e a placidez de Eliseu e de Rafa, valeu-nos o sentido de oportunidade de Mitroglou, a experiência encorajadora de Luisão e uma exibição imperial de Edersson (como é que ele conseguiu defender aquela bola lá para os 83`?). Na segunda mão já sabemos com o que contar: um estádio intimidatório com oitenta mil alemães a ulular e a agitar pendões amarelos, uma equipa do Dortmund ainda mais agressiva e a necessidade premente que tem em ultrapassar a eliminatória (além do objectivo em si mesmo), não só porque as coisas na Bundesliga não correm pelo melhor mas porque tem o orgulho ferido.

Mas se o Benfica teve grande felicidade agora, para os que acreditam no Karma e ains talvez tenha havido alguma justiça histórica: é que em 1963, já lá vão mais de 50 anos, na altura em que o Benfica dominava a Europa e contava com Eusébio e mais dez craques na equipa principal, recebeu precisamente o Dortmund na Luz e venceu-o por meros 2-1. Uma magra vitória acompanhada de um record de bolas à barra: nada menos que seis. E na segunda mão, sem Eusébio levou uma surpreendente goleada de 5-0. imagine-se agora se das 6 bolas ao ferro tivessem entrado 5 e o "Pantera Negra" tivesse jogado: mesmo com ma pesada derrota, o Benfica seguia em frente. Por isso, a sorte de agora é a paga do azar de meio século. Ah, e registe-se que os alemães quase limparam a folha clínica ao passo que o Benfica jogou sem Jonas e mais uns quantos. Isto da sorte tem muito que se lhe diga.

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terça-feira, fevereiro 14, 2017

Diz que sou um terrorista


Fiquei ontem a saber que sou um terrorista (sem aspas), um ultraconservador e um "manipulador de imagens chocantes" para "sujeitar maiores e menores a uma distorção obscena da realidade". Toda essa acusação consta do artigo de Alexandra Lucas Coelho no Público de segunda-feira. Já tinha reparado num certo radicalismo fracturante da colunista do diário (então ela não tinha sido despedida?), mas nunca tinha pensando que para ela, as pessoas que, como eu, defenderam o "não" nos referendos ao aborto - e eu fi-lo tanto em 1998 como em 2007 -  eram terroristas. Sem tirar nem pôr. Já agora, por esse critério, o actual Presidente da República e o SG da ONU também constam do rol. Para além da virulência dos termos, há outros dois aspectos que sobressaem: um é a não aceitação de resultados eleitorais que a desgostem, como prova ao dizer que a vitória do "não" em 1998 fazia crer que Portugal não era um estado democrático nem laico (ou seja, para Lucas Coelho se os resultados não forem os que pretende, então já não são democráticos, e o facto de as pessoas exprimirem valores de origem religiosa é em si mesmo um atentado à laicidade do estado); outro é a maneira como atira grosseiramente aos outros aspectos que mais depressa se colariam ao seu "lado": a tal manipulação de imagens chocantes", que se bem entendo, eram as diferentes formas de realizar abortos. As imagens podiam causar choque, mas não eram falsas nem sujeitas a alterações de fotoshop. Já inúmeros cartazes a favor do "sim" eram recriações grotescas, sobretudo os da autoria do PSR (pouco antes da formação do Bloco), com óbvios intuitos anticlericais (mas então a laicidade...?)

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O que resta é que, dez anos depois do referendo que lhes deu a vitória, e mesmo recusando absolutamente qualquer outra hipótese de tal instrumento de voto directo, alguns vencedores de então continuam a mostrar uma incrível raiva pelos que pensam de outra forma, ainda por cima com argumentos da mais primário desonestidade intelectual acompanhados de insultos infantis. Daqui não pode sair nenhuma discussão válida. E continuam, na sua arenga, sem fazer uma, mas uma que seja, referência ao cerne da questão: áqueles a quem tiram o direito de nascer.

domingo, fevereiro 12, 2017

Uma questão de traçados


Foram revelados esta semana os projectos da expansão do Metro do Porto. Um era expectável e desejável: a continuação da linha amarela, de Gaia, até à imensa Vila d´Este, passando pela Hospital de Gaia, facilitando a deslocação a uns bons milhares de pessoas.
 
O outro é uma enorme surpresa, mas a avaliar pelas reacções, a começar pela minha, nem por isso das mais agradáveis. Uma linha a ligar a Casa da Música ao...Hospital de Santo António, via praça da Galiza? Para quê?
 
Ao que parece, e não se adiantou muito mais, servirá para retirar tráfego automóvel áquele eixo (que se resume à rotunda, Júlio Dinis e D. Manuel II) e para que o Hospital fique mais bem servido. Não era preciso explicações para se perceber o objectivo, claro como a água. Mas porquê esse traçado, porquê essa opção de trajecto?

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Já se discutiram duas opções de traçado: a linha da Boavista, que ligando a Matosinhos subiria a avenida até à Casa da Música, percorrendo à superfície o antigo trajecto do eléctrico (a linha 19). Tinha a vantagem de ser mais económico, mas a verdade é que no troço inicial da avenida, sobretudo na parte que confina com o Parque da Cidade, serviria muito pouca população. Creio que com as obras posteriores, que inviabilizam qualquer opção de linha electrificada, esse projecto ficou definitivamente posto de parte.
A outra opção era mais dispendiosa e demorada, mas muito mais abrangente. A linha do Campo Alegre viria também de Matosinhos, mas atravessaria à superfície o Parque da Cidade, "enterrando-se" antes de chegar à avenida, regressando à superfície apenas na zona do Fluvial e de D. Pedro V, até para evitar cursos de água subterrâneos. Faria assim a ligação de toda a zona ocidental do Porto, de parte da Boavista e do pólo universitário do Campo Alegre com a Baixa, incluindo, sim, o Hospital de Santo António. Ou seja, ligaria quase meia cidade ao centro. Tendo em conta a complexidade e onerabilidade de tal projecto, é de temer que tenha ficado indefinidamente na gaveta, em lugar deste outro para o qual não se vê grande valia. Para mais, Rui Moreira era adepto deste traçado.
 
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Não é um exclusivo do Porto: também em Lisboa, e com tanta gente há anos à espera da ligação do metro às zonas ocidentais, resolveram inflectir a linha do Rato para o Cais do Sodré, apanhando apenas a zona de Santos e deixando o resto como estava. Vá-se lá saber...
Com este, já são dois os grandes anúncios tipo balão de ar esvaziado que a câmara lançou. O outro é aquela votação do Porto como melhor destino turístico europeu para 2017, uma votação online à qual, francamente deram demasiado crédito.
 
O anúncio verdadeiramente positivo, e provavelmente menos divulgado, acabou por ser o do terminal intermodal de Campanhã, que facilitará o sistema de transportes na zona oriental e à volta da estação, que era até agora um baldio suburbano vergonhoso. Dir-se-à que estamos em ano de eleições, mas a verdade é que este era mesmo um dos projectos-chave do programa de Moreira em 2013.

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Os videos dos Rockin 1000


Tem gerado algum entusiasmo a interpretação do célebre hino dos Nirvana, Smells Like Teen Spirit, pelo grupo eventual conhecido como Rockin 1000. O nome é fácil de perceber: consiste em cerca de mil músicos, ou mais, que interpretam em simultâneo canções rock conhecidas, com efeitos sonoros surpreendentes (e potentes, que é provavelmente o maior objectivo de um tal projecto).



O grupo, que parece ser particularmente fã dos Nirvana e sucessores, apareceu em Itália, em 2015, quando alguém teve a ideia de tocar Learn to Fly, dos Foo Fighters ( o grupo liderado por Dave Grohl, precisamente o baterista dos Nirvana), como forma de chamar a atenção à banda americana e conseguir levá-la a Cesena, o que, segundo a Wikipedia, aconteceu mesmo.

 


Mas já que se fala em Learn to Fly, é justo que se deixe aqui o videoclip original, talvez um dos mais divertidos e imaginativos da história do rock. Para além do enredo burlesco, os membros da banda fazem várias personagens ao mesmo tempo - Grohl, por exemplo, consegue interpretar o piloto do avião, um comissário de bordo efeminado, uma passageira obesa, outra teenager e fã da banda, e ainda um agente do FBI, além de fazer de si próprio, tal como os companheiros. Ah, e Jack Black também faz uma perninha no vídeo.


sábado, fevereiro 04, 2017

Estaline como nova moda

 
Nos últimos dias, e por toda a parte, podemos encontrar a cara laroca de Estaline. Biografias distribuídas pelo Expresso, livros sobre os seus últimos dias, documentários na televisão, séries, ensaios, filmes (com o Depardieu a protagonizar e realização de Fanny Ardant tendo como cenário de fundo...o Buçaco)...Mas se não há nenhuma efeméride a comemorar - excepto os cem anos das revoluções russas - porque é que se desatou de repente a recordar tanto o "pai dos povos"? Para contrapô-lo a Hitler? Já passou demasiado tempo e é uma figura meramente histórica? Ou por causa desta vaga de autoritarismo? Estaline pode estar de certa forma na moda, mas nada explica o porquê deste interesse súbito pelo paranóico georgiano que dominou o Kremlin e o maior país do Mundo durante 30 anos.
 
 

terça-feira, janeiro 31, 2017

Defender as fronteiras da good old América

 

Brigada norte-americana de bons costumes, leal ao Presidente Trump, impede a entrada nos Estados Unidos de forasteiros irlandeses de países muçulmanos (da Arábia Saudita não, também não é preciso exagerar), antes que eles conspurquem a nação com os seus hábitos e costumes religiosos odiosos, com as suas intenções malévolas e ameacem a liberdade reinante.

terça-feira, janeiro 24, 2017

O discurso de Trump


A tomada de posse de Donald Trump, mergulhada na polémica do início ao fim, e portanto fiel ao empossado, continua a fazer correr tinta, como seria de esperar. O número de populares, a forma como cumprimentou ou não cumprimentou, a ausência de artistas de primeira linha, a pobreza de vocabulário, o estilo eleitoralista e sectário, a maneira como se dirigiu aos que o rodeavam, o próprio baile que se seguiu, tudo contribuiu para intermináveis discussões que ainda se prolongam. Dois aspectos particularmente maus: o conteúdo do discurso em si e as manifestações contra. Proferiu uma miserável arenga de campanha, absolutamente divisionista, que em nada servirá para unir o país. Desfiou uma data de chavões, de frases feitas básicas e de slogans populistas, prometendo tudo e mais alguma coisa como se fosse mágico ou omnipotente. A frase que melhor resume é esta (referindo-se ao crime de rua): "this american carnage stops right here and stops right now". Até agora, não parece que o crime tenha desaparecido. E mais prometeu que se acabaria a desobediência com a polícia. Se as coisas já andavam tensas nessa matéria, é de esperar o pior (irá ordenar à polícia que massacre quem lhe desobedeça?). E o mesmo se aplica ao radicalismo islâmico, que prometeu "erradicar". E, como muito repararam, não se referiu uma única vez ao valores americanos nem aos founding fathers ou a qualquer outra figura histórica.

Eis a face de Trump, e os seus aspectos mais negativos: mais do que o ar de boss e a inspiração em alguns dos piores aspectos dos Estados Unidos, mais do que a incapacidade discursiva e o ar de gorila alaranjado, é esta convicção de que tudo pode e de que não tem de ouvir ninguém, ou pelo menos ninguém fora do seu círculo, que o torna mais perigoso. Já é o Presidente americano e já demonstra todo a sua incapacidade e falta de estaleca para o cargo. Pormenor lateral mas ilustrativo: o tipo nem sabe apertar devidamente o casaco e apresentou-se ao mundo com a gravata a esvoaçar.

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E depois o outro aspecto negativo, esse nos antípodas: as manifestações violentas de grupelhos como o Black Bloc, que para onde vão, divertem-se a partir montras e carros e a atirar objectos à polícia. Tendo em conta que em Washington quase ninguém votou em Trump, é caso para perguntar qual é a culpa das montras. Claro que não é nenhuma, mas é o pretexto mínimo para que grupos de marginais e cultores de violência urbana possam dar azo aos seus passatempos. Depois não admira que parte da população vote nos Trumps desta vida, que prometem a erradicação do crime e da violência das ruas. São alimento recíproco e pasto para disparates dos dois lados. No fundo estão todos bem uns para os outros.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Treze


Treze é um número aziago. O número do azar, da má fortuna, de dias temerosos que impõem receios, de crenças mais ou menos infundadas, de tradições obscuras e bruxarias imaginadas. E também é o número de anos em que eu ando nisto. Este blogue faz esta noite treze anos (não sei ao certo a que horas nasceu, mas por esta altura em que escrevo, e precisamente no quarto onde me encontro), e como tal entra na adolescência. Como se sabe, é a pior das idades. Não fiquem espantados se houver manifestações próprias da "idade do armário".
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Interrogações com resposta vaga


Há os desaparecimentos públicos e depois há os que, não sendo de notoriedades, nos são mais próximos. A grande diferença para os primeiros é que não temos um resumo da sua vida, as suas memórias ou as suas imagens ali à mão de semear. E aí temos de ser nós a ir buscá-las, a recordá-las com os outro, a comparar recordações e a trocá-las, como cromos de uma caderneta que no fundo é a biografia do que nos deixou.
As memórias privadas são mais íntimas e mais valiosas, e não apenas por causa do evidente valor de proximidade. São-no porque exigem um trabalho de busca e de rememoração que trabalho jornalístico algum, por mais bem feito e intencionado que seja, nos pode dar.

E que fazer quando o desaparecimento atinge uma pessoa na força da idade, de que se diz que tanto poderia dar ainda e que para mais marca aqueles que a rodeiam? Como é que se reage? Como é que aqueles que estão próximos podem preencher o vazio? Quando morre alguém de idade avançada fica a tristeza do momento, a enumeração das suas virtudes, a saudade. Mas nunca é exactamente visto como uma tragédia. Quando desaparece alguém mais novo, há a sensação natural de que uma missão no Mundo ficou por cumprir, e um enorme e doloroso sentimento de perda. Mesmo para quem crê e que sabe que a morte física é apenas uma passagem para algo de diferente.

O tempo apaga a dores, dizem. E se não apaga atenua-as. As recordações mais preciosas ajudam também. A seguir em frente, na vida de todos os dias. Nunca gostei muito dessa frase tecnocrática e prosaica -  "a vida continua" - mas em parte é verdade, para os que vão ficando. A vida continua amparada na passagem do tempo, nas recordações e na convivência com o(s que nos são) próximo(s). E na crença de algo superior e na sua sagrada promessa de uma existência diferente e melhor, em que mesmo os mais cépticos no fundo crêem. O resto são as interrogações naturais que esta frágil espécie se coloca desde sempre e para sempre, sem chegar a qualquer conclusão material em vida terrena, por muito que a ciência, em vão, o tente. 

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Outros desaparecimentos


E enquanto se carpia Mário Soares, partiam também Guilherme Pinto e Daniel Serrão. A notícia maior eclipsou um pouco as suas mortes, talvez por não serem muito inesperadas. Pinto tinha justamente renunciado ao cargo de presidente da câmara de Matosinhos, que só teria efeitos a parir de Fevereiro, e não resistiu a ma doença cancerígena que já o afectava há anos. Anda conseguiu refiliar-se no PS, ele, que em 2013 tinha reconquistado a câmara com maioria absoluta e estatuto de independente, depois de uma lamentável jogada do aparelho socialista local. Conheço pessoas que lhe devem a sua (boa) situação habitacional e que certamente não o esquecerão. Um bom autarca que parte cedo demais.
Também a morte de Daniel Serrão não constituiu propriamente surpresa. Estava bastante fragilizado desde o estúpido atropelamento de que fora vítima, há dois anos. Serrão, que era de Vila Real com a minha família e vivia no Porto tal como eu, será sobretudo recordado como o grande pioneiro e divulgador da bioética em Portugal e até a nível internacional, e um exemplo de como se pode reunir harmoniosamente a ciência e a fé religiosa.

E para além disso, desapareceu também Zygmunt Bauman, um pensador que bem merece ser lido na época efémera e precária em que vivemos. E para além de Mário soares, também morreram outros dois ex-chefes de estado dos anos 80-90: Roman Herzog, antigo presidente da Alemanha, e Rafsanjani, o antigo presidente iraniano que ajudou a desanuviar a regime dos ayattolahs. Fará provavelmente falta aos sectores mais contestatários da teocracia iraniana. Para já, 2017 não deve nada a 2016.